O duelo entre Alemanha e Paraguai, realizado no Estádio Gillette em Boston, foi o ponto de virada da fase de 16 avos do Mundial 2026. Empatado em 1‑1 ao fim dos 120 minutos, a partida foi decidida nos pênaltis, onde o Paraguai saiu vencedor por 4‑3. A eliminação da Alemanha, bicampeã mundial, abre espaço para novas narrativas nos estádios americanos.
Um confronto inesperado
Quando o calendário anunciou o confronto entre a seleção germânica, favorita ao título, e o modesto Paraguai, poucos acreditavam que o duelo poderia ser tão equilibrado. A Alemanha entrou em campo com uma equipa renovada, comandada por Julian Nagelsmann, que apostou num 4‑3‑3 ofensivo. Já o Paraguai, dirigido por Guillermo Barros Schelotto, manteve a solidez defensiva que o levou a superar a Coreia do Sul na fase de grupos.
No primeiro tempo, a Alemanha dominou a posse, mas encontrou a defesa paraguaia bem organizada. Aos 27 minutos, o atacante Karim Adeyemi abriu o placar após uma jogada coletiva que terminou com um passe em profundidade de Jamal Musiala. O gol trouxe esperança aos torcedores alemães, que esperavam ver a equipa avançar com tranquilidade.
O empate que levou aos pênaltis
A resposta paraguaia não tardou. Aos 38 minutos, o meia José Cardozo recebeu um cruzamento de Ángel Romero e cabeceou firme, empatando a partida. O 1‑1 manteve-se até ao fim da prorrogação, apesar de algumas oportunidades claras de ambos os lados. O guarda‑redes alemão, Marc‑Andre ter Stegen, fez duas defesas de qualidade, mas não conseguiu impedir o remate de Rodrigo Sánchez que, aos 112 minutos, encontrou o fundo da rede.
Com o empate garantido, o árbitro oficializou a sequência de pênaltis. A pressão psicológica recaiu sobretudo sobre os alemães, que já sofreram um revés similar contra a Croácia nas eliminatórias de 2022. O primeiro lance viu o jovem Florian Wirtz desperdiçar, chutando por cima do travessão. O Paraguai respondeu com um gol de Carlos Gamarra, colocando a seleção sul‑americana à frente.
Os pênaltis: drama e heroísmo
O duelo de cobranças tornou‑se um verdadeiro espetáculo. O alemão Kai Havertz converteu, mas o paraguaio Óscar Cardozo também marcou, nivelando o placar. O momento decisivo chegou quando o atacante da Alemanha, Leroy Sané, viu o seu chute ser defendido por Diego Martínez, o guarda‑redes paraguaio, que já havia feito duas defesas cruciais.
Com a vantagem a favor do Paraguai, o último alemão, Niklas Süle, viu o seu chute ser bloqueado pela parede. O Paraguai, então, converteu o seu último pênalti através de Santiago Arce, selando a vitória por 4‑3 nos penais e garantindo a vaga nos oitavos de final.
Repercussões imediatas: choque na Europa
A eliminação precoce da Alemanha enviou ondas de choque pelos bastiões do futebol europeu. O treinador Nagelsmann recebeu críticas por ter subestimado a disciplina defensiva paraguaia e por ter escolhido um esquema ofensivo que deixou espaços para contra‑ataques. Por outro lado, a seleção paraguaia recebeu elogios por sua organização tática e pelo espírito de luta demonstrado nos momentos decisivos.
Na Alemanha, as redes sociais foram inundadas de mensagens de frustração. O ex‑jogador e comentarista Thomas Hitzlsperger descreveu a derrota como "um dos maiores apagões da história recente da seleção". Enquanto isso, no Paraguai, o capitão José Ortíz declarou que "este é o futuro do futebol sul‑americano, onde a garra pode superar a tradição".
O panorama dos oitavos de final
Com a vitória, o Paraguai junta‑se a uma lista de equipes surpresa nos oitavos: Brasil, que venceu o Japão por 2‑1; Marrocos, que superou os Países Baixos nos penais; e a tradicional potência sul‑americana, Argentina, que ainda não entrou em campo. O torneio já demonstra uma tendência de maior competitividade, com seleções de continentes tradicionalmente menos representados a desafiar os grandes favoritos.Os próximos confrontos prometem emoções fortes. O Paraguai enfrentará o vencedor do duelo entre Brasil e Japão, enquanto a Alemanha deixará o caminho livre para a Holanda, que também foi eliminada nos pênaltis contra Marrocos. A partida entre Marrocos e Países Baixos, vencida pelos africanos por 2‑3 nos penais, já foi apontada como um dos melhores jogos da fase de mata‑mata.
O que esta eliminação significa para o futuro da Alemanha
Para a Federação Alemã de Futebol (DFB), a derrota representa um ponto de inflexão. A análise interna já apontou a necessidade de rever a política de renovação de talentos, já que vários jogadores jovens ainda não mostraram a maturidade necessária para fases decisivas. O técnico Nagelsmann afirmou que "há muito a aprender" e que a campanha será usada como base para a reconstrução rumo ao Euro 2028.
Especialistas como o jornalista esportivo Jürgen Klopp (não confundir com o treinador) sugerem que a Alemanha deva apostar mais em um meio‑campo compacto, capaz de controlar o ritmo e reduzir a exposição a contra‑ataques. A pressão dos torcedores e da mídia será ainda maior, sobretudo porque o país ainda busca recuperar o brilho que o fez campeão em 2014.
Próximos passos para o Paraguai
Já para o Paraguai, a vitória abre portas para um possível “milagre” nas fases finais. O técnico Schelotto destacou que a equipa vai focar na recuperação física e na manutenção da disciplina tática que lhe permitiu chegar tão longe. A seleção pretende manter a mesma formação, reforçando a defesa com o experiente Rodrigo Sánchez, enquanto aposta na criatividade de Ángel Romero para criar oportunidades de golo.
Além disso, a vitória pode impulsionar a visibilidade do futebol paraguaio no mercado internacional, atraindo olheiros e potenciais transferências para clubes europeus. A performance no Mundial pode também inspirar a juventude local, que vê nos jogadores atuais modelos de superação.