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Move Brasil pode gerar um boom de carros “ex‑Uber” e mudar o panorama dos seminovos em Portugal

Move Brasil pode gerar um boom de carros “ex‑Uber” e mudar o panorama dos seminovos em Portugal

O governo federal acabou de abrir as portas de concessionárias em todo o país para motoristas de aplicativo e taxistas que desejam adquirir um carro zero quilómetro com financiamento facilitado. A expectativa de vender 200 mil unidades nos próximos anos traz à tona um fenômeno ainda pouco regulado: o surgimento de um mercado de veículos “ex‑Uber”, que podem perder metade do seu valor em comparação com carros usados por particulares.

O que é o programa Move Brasil e como funciona

Iniciado em 19 de março, o Move Brasil oferece crédito de até 30 mil milhões de euros, operado pelo BNDES, para a compra de veículos novos com preço máximo de 150 mil euros. As condições incluem entrada zero, prazo de pagamento de até seis anos e juros reduzidos, tudo dentro da Medida Provisória 1.362/2026. A proposta visa renovar a frota de transporte remunerado, privilegiando veículos flex, híbridos ou elétricos.

Concessionárias como a Murano Veículos, em Manaus, já estão lotadas. A Murano, que representa a Fiat há mais de três décadas, destaca o Cronos como o modelo preferido pelos motoristas, graças ao porta‑mala de 525 litros e ao consumo eficiente. Para quem busca mais estilo, o Pulse e o Fastback são recomendados. A aprovação do crédito ainda depende da análise de risco de cada instituição financeira, mas as condições iniciais já atraem milhares de profissionais da mobilidade.

Como nasce a categoria “ex‑Uber”

Quando esses 200 mil veículos forem vendidos, parte deles retornará ao mercado de usados em três a quatro anos, já que os motoristas tendem a trocar o carro ao final do financiamento ou quando a tecnologia avança. Diferente dos táxis, que carregam a indicação de uso profissional no documento, os carros de aplicativo não têm essa marcação oficial. Como explica Éverton Fernandes, presidente da Fenauto, a única pista está no desgaste visível: pedais muito gastos, quilometragem alta, bancos marcados e volantes desgastados.

Essa falta de transparência gera um dilema para compradores de seminovos. Sem um registro que identifique o histórico de uso, o comprador depende da avaliação do vendedor e de inspeções técnicas. A Fenauto alerta que veículos usados em aplicativos são submetidos a “condições severas”, percorrendo dezenas de quilómetros por dia, o que pode acelerar a degradação de componentes críticos como freios, suspensão e bateria.

Impacto na depreciação: até 50 % a mais

Estudos internos da Fenauto apontam que um carro que passou três a quatro anos como “ex‑Uber” pode desvalorizar até 50 % a mais do que um veículo usado exclusivamente por particulares. Essa diferença decorre do maior desgaste mecânico e da percepção de risco por parte dos compradores, que temem custos de manutenção mais elevados.

Para ilustrar, um Fiat Cronos comprado por 30 mil euros como carro particular pode ser vendido como seminovo por cerca de 18 mil euros após quatro anos. O mesmo modelo, porém, após servir como carro de aplicativo, pode chegar ao mercado usado por apenas 13 mil euros, representando uma perda adicional de 5 mil euros, ou 16 % do valor original.

Reações do setor e das associações

Além da Fenauto, associações de taxistas e de plataformas de mobilidade expressaram opiniões divergentes. A Associação Nacional de Taxistas (ANT) vê o programa como “uma oportunidade de melhorar a qualidade da frota e reduzir a poluição”. Já a Associação de Motoristas de Aplicativo (AMA) alerta que a falta de transparência nos seminovos pode gerar desconfiança e afastar novos profissionais do setor.

Por outro lado, concessionárias como a Murano Veículos já preparam estratégias de revenda: treinamento de vendedores para identificar sinais de uso profissional, oferta de garantias estendidas e contratos de manutenção preventiva que podem atenuar a diferença de preço.

Desafios regulatórios e a necessidade de um registro oficial

Especialistas em direito do consumidor sugerem que o governo deveria criar um registro no prontuário do veículo indicando se ele já foi usado como carro de aplicativo. Uma proposta em discussão no Congresso prevê a inserção de um código específico no documento de registo, facilitando a transparência e protegendo o consumidor final.

Enquanto isso, a Fenauto recomenda que compradores façam vistorias completas em oficinas credenciadas e solicitem relatórios de manutenção. “Não basta olhar a quilometragem; é preciso analisar o estado dos sistemas de freios, suspensão e bateria”, enfatiza Fernandes.

O que esperar nos próximos anos

Se o Move Brasil alcançar a meta de 200 mil veículos, o mercado de seminovos poderá observar um aumento de até 15 % no volume de carros “ex‑Uber”. Isso exigirá adaptação das concessionárias, que precisarão criar linhas de negócio específicas para esses veículos, oferecendo pacotes de manutenção e certificação de qualidade.

Ao mesmo tempo, a pressão por um registro oficial pode acelerar a aprovação de normas que tornem o histórico de uso parte integrante do documento de registo. Essa mudança traria mais segurança ao comprador, mas também poderia impactar o preço de revenda, já que a simples menção de “uso profissional” poderia reduzir ainda mais o valor de mercado.

Como os consumidores podem se proteger

Para quem pensa em adquirir um seminovo, a recomendação prática inclui: (1) solicitar o histórico completo de manutenção; (2) verificar sinais de desgaste típicos de uso intenso; (3) comparar o preço com veículos de mesma idade e quilometragem que nunca foram usados em aplicativos; e (4) considerar a contratação de uma garantia estendida.

Em síntese, o Move Brasil promete modernizar a frota de transporte remunerado, mas também cria um novo segmento de mercado que exigirá atenção de compradores, vendedores e reguladores. O sucesso do programa dependerá não só da quantidade de veículos vendidos, mas da capacidade do país em garantir transparência e confiança no ciclo de vida dos automóveis.

Frequently asked

O que é o programa Move Brasil?

É uma iniciativa do governo federal que oferece crédito de até 30 mil milhões de euros, com entrada zero e prazo de até seis anos, para motoristas de aplicativo e taxistas comprarem veículos novos de até 150 mil euros.

Por que os carros usados por motoristas de aplicativo podem valer menos?

Eles sofrem desgaste diário intenso, percorrendo muitas quilómetros e submetendo componentes como freios e suspensão a condições severas, o que pode levar a uma desvalorização até 50 % maior que a de carros usados por particulares.

Existe algum registro oficial que indique se um carro foi usado em aplicativo?

Atualmente não há marcação no prontuário do veículo. A proposta de incluir um código no documento está em debate no Congresso para melhorar a transparência.

Como identificar um carro ‘ex‑Uber’ antes de comprar?

Verifique sinais de desgaste como pedais muito usados, quilometragem alta, bancos marcados, volante gasto e solicite o histórico de manutenção e inspeção em oficina credenciada.

Qual o impacto esperado do Move Brasil no mercado de seminovos?

Espera‑se um aumento de até 15 % no volume de carros “ex‑Uber” nos próximos quatro anos, o que exigirá novas práticas de revenda, garantias estendidas e, possivelmente, regulamentação mais rígida.